Fanfics

terça-feira, 4 de dezembro de 2012


(pov Edward)

 

Meus pais me cobravam que eu tomasse iniciativas, que procurasse por Isabella e tentasse um acordo de paz, caso contrário… Que imposesse direitos. Mas eu não me sentia confiante, não mais, após ouvir do lado de fora daquele maldito quarto hospitalar, ela dizer que não suportaria me ver.

Sai daquele hospital aquele dia, após uma última visita ao meu filho no berçario, com o coração partido. Tinha esperanças que um dia ela me procurasse… Ou que permitisse que eu  fosse até ela.

Mas invadir sua vida, derrubar sua parede de proteção, lhe causar dor. Nunca mais.

Preferia sacrificar a mim, por tempo necessário. Até que ela reconhecesse que tinhamos um bebê que precisava de um pai.

Alice me atualizava de tudo, inclusive me passando fotos e mais fotos que Isabella a enviava e ela me repassava clandestinamente. Era incrivel como ele crescia rápido, e de como suas feições iam se tornando cada vez mais presentes. E definitivamente ele tinha traços de Isabella, mas numa versão masculina.

Eu sentia tanta saudade do cheiro dele, de pega-lo no colo. Sentia falta de poder ouvir seu choro, sua risada, seus chiados tipicos de bebê.

No primeiro mês, até tive pesadelos… onde acordava no meio da noite jurando que havia ouvido seu choro.

E confesso invejar a cada casal que passava por mim em algum momento ou lugar durante estes três meses. Eu nunca havia reparado em casais com filhos, e depois de ser pai, de segurar meu filho, eu estava atento a tudo isso. Á todos estes sentimentos.

Estava a ponto de ir até Chicago. Forçar algum encontro com Isabella, e me arriscar. Quando Alice… Mais uma vez Alice, me trouxe a melhor noticia em mais de três meses.

- Bom dia chefe! – Ela entrou sorridente em minha sala.

- Posso saber o motivo do sorrisinho? – Perguntei como todos os outros dias, sem o minimo de humor.

- O mesmo motivo que também vai por um sorriso nesta sua cara emburrada. – Ela dechou de mim. Mas não me importei, de alguma forma meu coração sabia que se tratava de Isabella e meu filho antes mesmo que Alice dissesse.

E então… eu já sorria.

Agora, estamos no jato de meu pai, indo para Chicago. Todos juntos, mais uma vez. Eu, minha mãe e meu pai, Alice… menos a pessoa mais importante, Isabella.

Fui convidado para a cerimonia de batizado de meu filho, mas com a condição de me ‘’comportar’’. Não sabia bem o que significava este ‘comportar’. Mas tinha noção do que se enquandrava nesta condição. Iriamos como convidados comuns, e não como famíliares. Isabella deixou bem claro.


Minha mãe carregou a poltrona ao seu lado no jato de sacolas e mais sacolas de presentes. Uma maneira de extravar a saudade que sentia. Ela, assim como meu pai. Viram, o neto apenas uma vez. E por mais que sofressem, assim como eu, respeitavam minhas decisões.

Eu tinha pela primeira vez o respeito de meu pai. Que após o infarte, havia se tornado um homem de condutas tão diferente ao que fora durante tantos anos.

Agora ele era mais solto, atencioso. E até beijava minha mãe em qualquer lugar, sem vergonha alguma. As vezes isto me constragia. Porém, estava feliz por eles.  Ao menos eram finalmente felizes. Felicidade que eu perdia a esperança a cada dia de um dia ter em minha vida.

Pousamos em Chicago com um lindo dia de sol, era final do verão e inicio da primavera. A cidade estava linda.Tão mais ensolarada e com ares de litoral que NY.

A mansão Salvatore ficava numa area residencial.


O jardim dos fundos estava decorado, com aqueles tipos de lanternas japonesas em cores claras… Azul claro e branco, não me dediquei a descobri mais sobre a decoração. Minha intenção era Isabella e meu pequeno.

Uma mestre de cerimonias nos encaminhou para uma mesa assim que chegamos, e nos entregou um script sobre a cerimonia.

E entres entradas e bebidas, eu me via desconectado do assunto que minha familia conversavam á mesa. Meus olhos buscavam á todo tempo por ‘’minhas’’ pessoas favoritas.

E enfim, fomos encaminhados a cadeiras em torno de uma especie de altar montado com uma bacia branca sobre uma mesa redonda.

 As cadeiras formavam um circulo em torno daquela especie de altar.

Quando tudo começou, só me dei conta de outras pessoas ao altar, quando Isabella entrou segurando ‘’nosso’’ filho, exibindo-o a todos, enquanto ele usava uma especie de bata longa e branca, ela também usava branco. E isso me surpreendeu, já que fiquei sabendo atravez de Alice que ela usava preto a meses.

Ela estava linda, cabelos soltos naturalmente. Usando um longo vestido branco levemente transparentes no comprimento da saia. Podia ver o contorno de suas perfeitas pernas.

Mesmo estando visivelmente mais magra, ainda assim, estava gloriosamente linda.

Ela não me olhou, tinha certeza que ela já havia me visto ali, na primeira fila. E evitava olhar em minha direção.

Eu á amava tanto… meu coração estava sangrando com tanta regeição.

Eu não entendia bem as palavras do padre que em sua maioria eram em latim, e nem entendi quando mergulharam meu menino naquela bacia de mármore com água. Mas era claro que nunca iria entender, nunca fui o cara mais religioso.

No fim da cerimonia, todos aplaudiram e eu imitei os outros. E da mesma forma que entrou, ela saiu, passando próxima a mim, mas sem me olhar. Mantendo aquele sorriso radiante nos lábios, mas dirfaçando algo que não entendia.

Foi quando fomos surpreendido quando Isabella voltou ao altar, mas agora trazendo com ela uma linda garotinha, de cabelos loiros escuros e olhos azuis, poderia dizer que era minha filha, se não tivesse certeza que me precavia e muito bem.

O senhor Salvatore que conversava com o padre, se virou ao ouvir os comentarios da plateia, e vi sua face dura mudar para uma de carinho… ainda mais derretido do que quando Isabella entrou com nosso filho no colo.

A pequena sorria largamente para todos, e desinibida, ela ainda acenava. Eu me vi dando risadas para aquela menina. Que também acenou para mim, ao passar por mim.

Ela pulou no colo do senhor Eleno e todos ouviram quando ela o chamou de ‘’vô Eleno’’.

Ele chorava emocionado, igualmente a Isabella e sua amiga Roselie, que conheci em NY.

Seria impossivel dizer que a maioria dos convidados também não choravam, comovidos com a cena até então confusa. Isso incluia a manteiga derretida da minha mãe e a chorona da Alice, ao meu lado, de braços dados com minha mãe.

- Boa tarde senhores. – O velho Salvatore disse, virarando-se finalmente para os convidados. Fiquei curioso em saber a origem daquela criança.

- Esta aqui a pequena Lexi… Ela é uma criança especial, e minha neta de coração.

- Minha filha também. – Isabella completou, me deixando surpreso. Alice não me contou que ela havia adotado uma criança!

- Como muitos sabem, minha esposa e eu fundamos a muitos anos atrás um orfanato para crianças de 2 a 12 anos… e Lexi, me apareceu com meses de vida… E no momento que vi esta pequena de olhos azuis, me apaixonei por ela. Na época não achava certo adota-la. Como um velhote como eu iria criar uma dama?

Todos riram de sua colocaçao, inclusive a propria Lexi.

- Então… aprontamos um quarto para ela no orfanato e demos o de melhor, na esperança que uma família de bom coração tivessem a benção de adota-la… mas os anos se passaram e ela esta aqui… E mais uma vez, Isabella… - Me emocionei quando ele abraçou Isabella com carinho. – Me trouxe mais esta alegria… Obrigada menina.

- Então… pelo que acabei de saber, temos mais um membro na familia! – Ele disse por fim, ainda chorando emocionado entre suas risadas de felicidade. – E como tradição de família, esta pequena tem de ser batizada também… Vamos a cerimonia, padre!

Ele finalizou seu pequeno discursso explicativo e voltou-se ao padre, iniciando a cerimonia. Confesso que meu peito estava inflado de orgulho. Sabia que Isabella era uma alma pura, perfeita. Uma mulher que o homem que tivesse a dadiva de tê-la ao seu lado, deveria se sentir honrado, além de o cara mais sortudo do mundo.

Me entristeceu que eu não pude ser este homem. Damon conseguiu o que eu, de forma egoista, distorcia com ideias tão erroneas de um relacionamento, joguei fora.

Babaca! Eu fui um babaca! Tenho certeza que me insultaria pelo resto de minha vida.

Algumas vezes, lembrava-me de como usei a paixão de Isabella para manipular seus desejos, aproveitando-me de seu alcoolismo para usa-la de formas mundanas.

Como no dia que a ofendi sexualmente… e que na época não poderia entender o porque dela ter fugido de mim da maneira que fugiu… e eu ainda fui atrás dela, me achando na razão de exigir algo.

Lembro quando perguntei:

 - Quer conhecer o seu novo endereço? – Ela me encarrou, sorriu e concordou.

Ela era tão manipulavel… E eu fui o canalha que me aproveitei disto. A usei para minhas fantasias sexualmente doentias.

 

(Lembranças ON / POV NARRADOR)

- Me deixa fazer o que eu desejo, Isabella… - Edward gemeu seu pedido no ouvido de Isabella.

- Eu não sei se tenho escolha… - ela murmurou de volta.

- Então diz…

- O que você quer ouvir… - Ela devolveu entre os gemidos, sentindo que seu vestido era levantado e que agora podia sentir o poderoso membro roçar em seu trazeiro, que se impinava para ele de forma constrangedora.

- Diga… - A voz do homem atrás dela mudava de um sussurro para uns dois tons acima e tinha uma forte entonação de comando. – Diga, Bella… Posso te foder com força?

- Acabe com está tortura… - Bella implorou.

Sentiu sua calcinha ser puxada, indo para uma lateral de seu trazeiro…deixando seu sexo livre do tecido rendado. Logo, o membro passeando por sua entrada.

Edward puxou com força o quadril de Isabella contra o dele, empurrando as costas de Isabella para frente, a fazendo colar o peito e rosto no vidro da porta.

- Está pronta… - Isabella não reconhecia aquela voz poderosa que controlava a situação delicosamente constrangedora e ardentemente excitante. Estava bebada demais da primeira vez para lembrar com tantos detalhes a noite que passou com ele em Las Vegas.

- Por favor… - Ela implorou gemendo.  

Ele a invadiu sem avisos e quando ela desiquilibrou ele disse: - Se mantenha de pé Isabella… eu quero te foder nesta posição. – A voz autoriatária ordenou.

(Lembranças Of)

 

Após encerrarem a cerimonia, fomos encaminhados de volta onde estavam servindo os convidados.

Isabella não estava em parte alguma, assim como sua amiga Rose, Eleno Salvatore e a pequena menina, chamda Lexi. Mas a espera acabou quando a cerimonialista os anunciou, e já vestindo outros trajes, ela reapareceu… Usava um vestido na altura do joelho, um luxuoso vestido de coquetel, e uma jovem ao lado, provavelmente a babá segurava nosso filho, também já com outras roupas… estava tão lindo, vestido como um pagem.

Eu me levantei, virei-me para ela… E no momento que nosso olhos se cruzaram, por poucos segundos, senti algo que não consigo explicar bem… Mas meu coração partido palpitava de forma desconcertante. Com certeza meu peito deveria estar subindo e descendo como se tivesse corrido uma maratona, mas não me importava com a vergonha.

 Senti as mãos de minha mãe passarem por meus ombros, mas não me dei o trabalho de virar-me para ela, meus olhos estavam enfeitiçados por Isabella… Como uma atração perigosa entre a Phenix e o sol… Queima, mas assim me sinto vivo.

E entre a multidão que os cercavam para cumprimeta-los… eu tentei me aproximar, mas fui impedido por minha mãe mais uma vez.

- Espera que ela se sinta á vontade e venha até nós. – Ela disse, respeitei e me sentei mais uma vez. Virando o copo de água a aminha frente, minha garganta estava seca, era a ansiedade me torturando.

Meu pai puxou algum assunto e minha mãe e Alice se puseram a conversarem, mas eu não ouvia o que eles diziam… estava a ponto correr dali, passar por Isabella e nosso filho, pega-los e fugir… Um sequestro relampago, talvez ajudasse.

Loucura! Insanidade total.

Um garçon passou pela mesa oferecendo champanhe, eu estendi o braço e aceitei uma taça, mas minha mãe me olhou preocupada.

- Tudo bem… apenas uma taça. – Eu garanti. Não era mais aquele cara que bebia e metia os pés pelas mãos. – Sempre estragando tudo não é Cullen!  Isabella me disserá uma vez. Eu mudei, as coisas mudaram.

Foi só quando ouvi a voz rouca do senhor Salvatore a minhas costas que eu suspirei pesado e controlei meus anseios. Sabia que ao seu lado, estava Isabella com meu filho, e provavelmente sua nova filha. A família estava completa, ou quase.

- Boa noite Eleno. – Meu pai se levantou, apertou a mão do velho. Só então vi que já havia anoitecido.

- Boa noite Carlisle… - Ele disse, virei-me e encarei Isabella, e fingindo não perceber meus olhares a mulher ao seu lado ele continuo. – Boa noite Esme, a cada ano mais encantadora.

- Obrigada Eleno... e você cada vez mais galante. – Minha mãe sorriu para o velhaco maluco. Riram falsamente até que ele se virou em minha direção.

- Boa noite Edward. – Ele estendeu sua mão para mim, e se aproximou. – Se magoa-la mais uma vez, eu mato você. – Ele sussurrou bem proximo ao meu rosto.

- Boa noite Eleno. – Eu respondi depois de engolir minha saliva cortante do momento.

- Bom, como viram mais cedo… Esta é Alexia, ou melhor… Lexi. Minha netinha de coração. – Eleno passou a sua frente a menina que sorria tão linda. – Minha querida Isabella… - Ele pôs a mão sobre o ombro da mulher da minha vida. – Vocês conhecem muito bem…

- Ola Carlisle… - Isabella disse, olhou para minha mãe e deu dois passos a frente e á abraçou como se o tempo e a distância não as tivessem atingido. – Bom te ver Esme.

- Amiga. – Alice pulou a frente de Isabella quando minha mãe soltou-se de seu abraço.

- Ola Alice… é otimo te ver aqui.

- Oh claro. – Alice respondeu, e elas teriam imendado um assunto paralelo se todos na mesa não estivessem claramente esperando sua reação a minha presença. Ela notou e retomando sua postura ela virou-se para mim.

- Ola Edward. – Ela me encarou.

Eu queria simplesmente beijar seus lábios… ao invés de ouvi-los pronunciar palavras tão desnecessárias, mas tudo que fiz foi pegar sua mão, sem sua permição,  e leva-la até meus lábios, e como um cavalheiro eu a beijei com carinho. Sentindo meu corpo todo arrepiar-se.

- Ola Isabella… esta linda. – Seus olhos se prenderam aos meus e por alguns segundos não existia mais ninguém a nossa volta. O silencio nos abraçava, eramos apenas nós dois.

- Você também esta otimo. – Ela disse, limpando sua garganta. Seus olhos voltaram-se brevemente para nosso filho no colo da babá ao seu lado.

- Posso segura-lo? – Eu perguntei sem mais aguentar esperar por tanto.

Ela olhou a todos a nossa mesa, e o silencio não mais nos cercava… Todos os ruidos e conversas das pessoas a nossa volta, faziam-se presentes. E eu já sentia falta do contato com sua pele, logo após ela soltar sua mão da minha.

- É claro. – Ela disse por fim. E faz sinal para sua babá, que se aproximou de mim. Eu peguei aquele menino em meus braços mais uma vez.

Após tantos meses privado deste contato.

- Ola pequeno. – Minha palavras saiam expremidas em minha garganta inchada… o choro estava a ponto de irromper, fazendo que minha garganta se apertasse cada vez mais.

- Carlisle… - Eleno virou-se para meu pai. – Venha comigo, vou lhe apresentar uma família muito importante.

- É claro – Meu pai respondeu, e puxando minha mãe pelo braço ele disse. – Venha Esme, nos acompanhe.

- Então você é a Lexi… você é linda, quer me mostrar seu quarto? Fiquei sabendo que você tem uma casa de bonecas enorme. – Alice deu a mão a Lexi, e a tirou também da mesa, e a babá as seguiu.

E então, estavamos apenas nós… Eu, Isabella e nosso filho.

- Ele esta tão grande. – Sussurrei.

- Esta sim. – Isabella disse orgulhosa.

Foi então, que com certa dificuldade levantei meu olhar para ela, e me perdi em seus olhos tristes.

- Eu ainda te amo Isabella, te amo ainda mais… - Dizer diretamente o que eu dizia as suas fotos, não foi dificil, foi a parte mais facil, tenho certeza… O dificil estava por vir.

Mas antes de tudo, eu sentia a grande necessidade de expor em palavras o que nunca consegui dizer a ela… Eu á amava loucamente a cada dia, e a cada dia distante dela, eu me sentia ainda mais um nada… Estava vazio, coração destruido. E só ela iria me curar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


(POV Narrador)

 

- Um dia você conhece alguém e se dedica imensamente a essa pessoa... Você entrega-se à ela com toda alma e coração. Você à ama, o suficiente á chegar esquecer dos problemas, das dores. De um mundo e pessoas que só lhe causaram dor. Simplesmente porque este amor lhe faz feliz. Até que um trágico dia teu mundo desaba e você percebe que cruelmente esta pessoa foi tirada de você. – Dizia Isabella, enquanto segurava um punhado de rosas vermelhas. Vestida completamente de preto, frente ao tumulo do homem que lhe amou com verdade.

- E neste dia, você olha pro lado e tenta encontrar refugio. Um refresco para dor. Mas meu único consolo é olhar para o céu e agradecer da sorte que tive, ao ter conhecido alguém como Damon e que … - Ela suspirou fundo, tentando sem sucesso segurar as lágrimas que desciam escondidas por seus óculos escuros.

Á sua volta, muitas pessoas. Na maioria ela nem conhecia, ou lembrava. Apenas algumas, dentre elas, a diretora do orfanato que estava sentada ao lado do senhor Salvatore. Todos com semblantes arrasados… olhando para o caixão de mogno elegante e ornado por uma enorme coroa de flores.

- Eu estou bem. – Isabella disse quando o pastor lhe foi solícito. Então ela continuou, percebendo a chegada de Edward, que na companhia dos pais, misturavam-se aos outros de forma discreta.

- E por ter recebido a dádiva de te-lo em minha vida, mesmo que por poucos meses… Eu tenho de dizer. – Neste momento, Isabella tinha certeza que os olhos de Edward estavam fixados nela, mesmo os dele escondidos também por óculos escuro.

 – Que Deus o receba. – Isabella disse, depositando a primeira rosa sobre o caixão. – Vá em paz, meu doce Damon, meu amor sublime.

A marcha fúnebre se iniciou… e enquanto as cornetas davam o dom maior. Os ali presentes jogavam as flores ao mesmo tempo em que o caixão descia na cova escura.

Isabella sentiu-se tonta… havia dado a luz há apenas três dias, um parto complicado. Ainda sentia as dores em seu abdômen suturado após a cesáriana. Ela foi acolhida por Rose e Emmett que estavam mais próximos dela.

Os amigos lhe abraçaram. Mas ela não queria mais ficar ali até que os coveiros cobrissem o caixão. Seria demais para seu coração.

- Vamos, Tio Eleno. – Ela o chamou, quando percebeu que todos já caminhavam indo embora.

- Eu vou ficar um pouco mais. – Ele apenas disse, ainda sentado na cadeira forrada de veludo vermelho, depositada bem em frente ao túmulo do sobrinho filho.

- Vamos Bella, você precisa descansar… Chris também precisa de você. – Rose disse, e Isabella assentiu, olhando mais uma vez para o tio Eleno que tinha suas mãos cruzadas sobre o colo e o olhar fixo na cova escura.

Isabella foi guiada por Rose e Emmett até a limousine, mas antes de entrar no veículo, ela olhou mais uma vez para trás. Vendo que o tio Eleno continuava na mesma posição. Olhou para o céu quando o som alto de um trovão a fez tremer, e como imã, seus olhos foram levados poucos metros á frente, onde Edward lhe observava, ao lado dos pais que conversavam com algumas pessoas.

Eles ainda não tinham se falado. Durante os dias no hospital, após Isabella acordar. Ela não quis a visita dele. Não estava em condições de encarar mais uma tormenta de frente.

Os pingos grossos da tempestade começava a caia, molhando seu traje negro, seus cabelos presos num coque, seu corpo magro e recém operado estava fraco demais para tantas horas de pé… E foi sem perceber que Rose lhe puxou para dentro da limousine preta, quando suas pernas falhas já não mais a obedecia.

- Venha amiga… - Rose disse cruzando seus olhos com o do marido, lhe indicando para onde Isabella olhava antes, e quando Emmett virou seu rosto, encarou Edward… Que com certeza não percebia que lágrimas solitárias se misturavam a água da chuva… Edward também precisou ser levado pelos pais para o carro do outro lado do campo gramado do cemitério.

Já dentro do carro, Isabella secou suas lágrimas e puxou fundo sua respiração… Tomando forças para continuar, bastava seu luto. Sua dor velada por dois dias de choro e calmantes. Apenas o pequeno Christian Salvatore, seu lindo bebê –  mas que ela não pode negar que lamentou não ter os olhos azuis do pai – , somente aquele pequeno bebê, desprovido de um único fio de cabelo, mas que esboçava um sorriso reconfortante, para lhe fazer estar de pé.

 

O dias foram se transformando em semanas… Semanas em meses.
Isabella definhava a cada dia, havia perdido no minimo quatro quilos. Suas roupas de antes já não lhe serviam mais, tivera de refazer um novo guarda-roupa, e tristemente, eram todas as peças pretas.

Três meses passados… desde a morte de seu amigo, seu companheiro, seu amado marido.

Ela nunca mais vira Edward Cullen outra vez, desde o enterro de Damon, naquela tarde fria do fim de dezembro.

Mas com o fim do ano, um novo ano se iniciou. E Ela tinha plena consciência de que tinha um filho lindo – que só lhe trazia alegria – para cuidar. 

Esquecendo completamente de suas coisas no apartamento do Village, Isabella mudou-se de vez para Chicago.
Vivendo na mansão Salvatore, assumiu o habito de tomar chá todas as tardes com o rabugento tio Eleno. Que só esboçava um sorriso quando estava na presença de seu sobrinho-neto.

- Temos de batiza-lo. – Ele comentou, numa destas tardes, enquanto ninava o cesto de balanço do bebê.

- Eu não havia pensado nisto. – Isabella confessou, olhando para o filho.

- Não devemos deixar que uma criança continue pagã por muito tempo…

- Vou procurar o padre esta semana. – Isabella garantiu, tomando um gole de seu chá.

- Não precisa. Eu já falei. – O Tio rabugento respondeu, e sem constrangimento algum, ele continuou. – Vá a igreja e marque a data… pode ser por estes dias, o padre disse que esta tudo bem… quanto antes batizarmos este menino, melhor.

Isabella apenas assentiu.

Ela não se sentiu ofendida com a intromissão do Tio Eleno, sabia que aquele velhote tinha suas convicções. Sua fé em Deus inabalada. E sua atitude não fora por mal.

X

Uma semana depois.

 

- Preciso de vocês aqui… - Isabella disse ao telefone com Alice.

- Eu não sei se é boa ideia… o velho Eleno não gosta muito de mim. – Alice disse preocupada, lembrando de quando conversou com ele no hospital, e de como ele foi rude em culpa-la de estar cominada a Edward para que tirassem o neto dele.

- Deixe de besteira, Alice. – Isabella respondeu, totalmente inocente do que havia acontecido.

- Vou ver o que posso fazer… eu também quero ver meu sobrinho.

- Já avisei a Rose, eles devem estar chegando amanhã. Rose irá me ajudar com algumas coisas por aqui.

- Sei… a madrinha. – Alice disse enciumada.

- Deixe de ser ciumeta… você é quase uma tia. – Isabella sorriu.

- Quase tia.

 - Seria mais se viesse mais vezes visitar o sobrinho.

- Sabe  que as coisas por aqui andam uma loucura… sem você. Edward parece perdido as vezes, com a cabeça no mundo da lua… - Alice dizia sobre Edward quando percebeu sua gafe. – Desculpe amiga…

- Tudo bem. – Isabella respondeu com a voz amuada, sentindo o nó na garganta crescer a cada segundo. Ouvir o nome do homem que ela tentava a todo custo esquecer, lhe fazia lembrar dolorosamente que talvez ela nunca seja capaz para tanto. – Bem, é isso… eu preciso desligar.

- Até mais, beije muito Chris por mim.

 

X

 

Isabella arrumava seu closet, tentando conseguir espaço para mais de suas roupas pretas e menores quando caiu do bolso de um casaco creme, o relógio de ouro.

Pegando a peça em suas mãos, ela observou o brilho dos vários pontos de diamantes… quando sua mente ficava silenciosa por dois segundos… deixando para trás os sons vindo da casa… dando espaço ao som da voz que ela nunca conseguiria tirar de sua mente… De uma das centenas de memórias marcantes, mesmo as ruins, e quando eram boas, eram ainda mais marcantes…

Suas lembranças a levaram para um ano atrás, mas precisamente para o apartamento do Village em NY.

(Lembrança on)

- Como estou? – Ela terminou de se arrumar e girou para Edward.

- Esta linda… quase perfeita! – Ele fez um drama, se fingindo pensativo.

- Quase? Ual! Agora você me magoou… - Isabella sorriu, indo até ele e segurando a gola de seu terno negro Italiano e beijando os lábios dele de forma lenta e sensual… Ela estava adorando essa fase de liberdade para beijos.

- Só falta isto para ficar uma perfeita assistente do chefe Cullen! – Edward disse, mostrando entre os dedos um relógio de pulseira fina e delicada em ouro amarelo e coberto por pontinhos brilhantes, que só podiam ser diamantes.

- Oh! É lindo! – Isabella o pegou, mas logo olhou para seu relógio com o fundo da Hello Kitty ficando triste.

- Não parece que gostou tanto assim… - Ele a encarou nos olhos.

- Gosto do meu relógio. – Ela murmurou.

- Não fica bem uma mulher em sua posição usando um relógio infantil!

(Lembrança of)

- Senhora Isabella! Senhora Isabella… Esta ai? – Isabella foi trazida ao presente pela voz insistente da babá de Christian, que batia a porta de seu quarto.

- Eu já vou. – Ela gritou ainda de dentro do closet, e sem muito jeito embolou as roupas que haviam caído no chão e as jogou sobre uma cadeira, e pegando o relógio ela o levou para o cofre, onde estavam mais de suas jóias pouco usadas. Todas presentes de Damon, uma a cada mês. Poucos, mas, os mais felizes meses de sua vida. A vida de casada com Damon.

- A senhora tem visitas. – A mulher disse, ainda do lado de fora.

Isabella alegrou-se, e tomada pelo sentimento ela levantou-se e correu, sabendo bem quem á esperava. Era Rose e Emmett.

- Como eu senti sua falta! – Isabella disse sincera ao jogar-se nos braços da amiga.

- Eu também senti sua… - Rose respondeu.

- Boa tarde, e sejam bem-vindos!  – O tio Eleno disse ao chegar a sala principal.

- Boa tarde senhor Eleno. – Emmett respondeu, segurando a bolsa de Rose, que a mesma havia jogado sobre ele quando Isabella desceu as escadas de encontro a amiga.

- Parece que estamos sobrando né… - Emmett comentou e o senhor com fama de rabugento esboçou um sorriso para o jovem.

Isabella e Rose continuavam abraçadas e falavam entre si, animadas.

- Venha comigo – Disse o senhor Eleno. – Você me acompanha em uma dose de uísque e um bom charuto cubado?

- Mas e claro!

- Nada de charutos tio Eleno… - Isabella disse, quando Emmett e o velhote que ainda vestia um roupão de seda por cima das calças de pijama seguiam para o escritório.

-Oh, deixe-os! – Rose deu de ombros. –Assim temos mais tempo para resolver aquela questão.

Isabella olhou para o tio Eleno mais uma vez, e decidiu deixa-los a vontade. Precisava mesmo que o tio Eleno não estivesse na sua cola para ir atrás de seus planos.

- Vamos, eu tenho apenas duas horas até ter de voltar e dar de mamar. – Isabella puxou a amiga para fora da mansão.

Isabella dirigia um dos carros que pertencia á Damon, um luxuoso BMW 760Li. Ela nunca havia dirigido o carro. Mas já havia andado com Damon, e conhecia o veículo.

- Este carro é demais. – Rose disse. Isabella apenas sorriu, acelerando o potente motor.

Alguns minutos depois, Isabella estacionava na garagem do prédio do orfanato, sendo recebida com devida atenção pelos funcionários.

Ela vestia calça social preta, blusa de seda também preta com os punhos dobrados e sapatos de salto preto. Ela ainda mantinha o luto, quebrando-o apenas pelas jóias de ouro amarelo, porém delicadas. Sua aliança na mão esquerda junto ao anel solitário com um diamante de causar inveja em qualquer mulher. Um relógio dourado, ao lado de um fino bracelete. Brincos de pérola e uma fina corrente com um pingente em forma de coração.

- Ola senhora Salvatore.  – A diretora do lugar, a senhora Flowers, recebeu Isabella com um sorriso simpático. O mesmo que recebeu Isabella durante inúmeras visitas ao lugar.

- Ola senhora Flowers… Como eu disse, não tenho tempo, onde ela está? – Isabella dizia enquanto andava para dentro do prédio, com Rose ao seu lado, que olhava á tudo com curiosidade.

- Ela esta arrumada desde de manhã… - Senhora Flowers dizia sorrindo. – Você precisa ver como ela esta animada. Esta usando até o vestido que você á presenteou!

Isabella limitou-se a sorrir… Ela também estava ansiosa.

Caminhavam a passos apressados até a sala da diretora. E ao abrir a porta, Isabella encontrou a pequena Lexi, que lhe olhou com tanta espectativa, com um sorriso grande no rosto infantil.

- Tia Bella! – Ela correu para o colo de Isabella.

- Oi pequena… - Isabella beijou as bochechas cheias da menina. – E então, está pronta?

- Sim! – Ela soltou um gritinho animada.

- Ei menininha… não fala comigo? – Rose disse, aproximando-se de Lexi.

- Quem é você?

- Eu sou a tia Rose. – Rose respondeu e observou por dois minutos a menina que teatralmente colocava seu dedo indicador sobre o queixo e pensava.

- Eu falei sobre ela… a tia Rose, lembra Lexi? – Isabella perguntou, tentando refrescar a memória da menina.

- Mas é claro! Eu estava só fingindo… - A menina sapeca gargalhou, depois de pregar sua peça.

- Então… temos de ir. – Isabella voltou a dizer, após olhar para o relógio. – Chris esta com babá.

- Vamos! – Lexi buscou sua mochila sobre a cadeira e se postou ao lado de Isabella, lhe dando a mão.

A menina estava tão excitada com toda mudança em sua vida, que mal podia esperar até começar a viver com sua nova família. Ela lembrava-se de Isabella grávida, mas ainda não conhecia o bebê Christian Salvatore, seu futuro irmão.

Era uma alegria tão grande em sua vida, que ela deixou de lado seu comportamento cabisbaixo desde que soube que seu tio Damon ‘’foi para céu’’, assim como lhe explicaram. Que ela não o veria mais.

Já dentro do carro, a menina ficou calada e tímida pela primeira vez, sentada no banco de trás, observando timidamente as telas de quinze polegadas que tomavam a costa dos assentos do motorista e carona. E que no momento exibia um episodio de algum desenho animado.

Ela nunca havia entrado num carro tão luxuoso, e muito menos um carro com TV’s `grudadas` nos bancos.

- Seu vô Eleno mal vai acreditar quando te ver. – Isabella comentou. Mas estranhou quando Lexi não respondeu. Então ela olhou brevemente pelo retrovisor e perguntou: - O que te preocupa, minha querida?

- Nada… - A menina deu de ombros.

- Lexi, eu preciso que seja sincera comigo. Você pode falar comigo o que quiser, lembra?

- Aham… - Ela murmurou.

- Então, o que é? – Isabella perguntou, percebendo que Rose a olhava de soslaio.

- Será que o vô Eleno vai gostar de me ver?

- Oh, minha querida. Porque acha que que ele não gostaria de te ver

- É que ele nunca mais foi me ver. Acho que ele não gosta mais de mim.

- Minha querida Lexi. – Isabella disse, tomando cuidado com suas palavras e mantendo um sorriso ela suspirou e continuou. – Eu lhe expliquei, que o vô Eleno é um velhote rabugento e temperamental…  E depois que o tio Damon foi pro céu, ele ta ainda mais rabugento… tenho certeza que você irá alegrar a vida dele.

A menina sorriu acanhada, insegura. Desviou sua atenção para janela do carro.


Isabella estacionou o carro nos fundos da mansão, e como clandestinas entraram em casa e foram para o andar de cima. Isabella queria fazer uma surpresa para o velho Salvatore.

E depois de mostrar para Lexi, seu novo quarto. Isabella deixou a menina sozinha no quarto, conhecendo seu novo espaço, sua nova vida.

 

- Agora tenho que ir ver meu pequeno, odeio ter de sair e deixa-lo com a babá. – Isabella disse ao sair do quarto.

- Eu vou procurar por Emmett… - Rose disse, descendo as escadas.


- Oi meu amorzinho. – Isabella entrou no quarto, encontrando seu filho brincando com os mobiles de seu berço, enquanto a babá lia a uma revista.

- Ola senhora Salvatore. – A babá levantou-se, guardando a revista abaixo da almofada da poltrona.

- Como ele está?– Isabella perguntou indo diretamente até o filho, o pegando no colo e recebendo risadas felizes.

- Ele esteve o tempo todo bem quietinho… - A jovem afirmou. – Ele mal da trabalho.

Isabella conferiu as fraudas de seu filho, cheirou o menino, como uma mãe loba. Reconhecendo seu filhote, analisando os cuidados. Mas estava muito bem perfumado e com fraudas limpas e secas.

Enquanto dava de mamar para seu bebê, ela acarinhava a cabecinha de seu filho, que já não era desprovida de cabelo, como era quando ele nasceu.

O lindo Christian crescia forte e saudável a cada dia, se tornando um bebê gordinho, de bochechas rosadas e olhos verdes como os da mãe. E sempre sorridente.

- Ele esta tão lindo. – Rose disse, chegando ao quarto sem que Isabella percebesse sua chegada.

- Esta sim… - Isabella confirmou orgulhosa.

- Emmett e o tio Eleno estão se dando muito bem… estão numa partida animada de xadrez. –

- Imagino o quanto animada. – Isabella debochou, lembrando o quanto o tio Eleno fazia Damon se sentir ocioso com estes jogos. Ela sentia saudade dele todos os dias, em tantos momentos.

Passaram-se alguns minutos e Rose apenas observava Isabella amamentar e cuidar do filho até que ela tomasse coragem de dizer o que pretendia.

- Eu não queria dizer isto desta mandeira… mas imaginei várias formas de começar isso e…

- Não! – Isabella á interrompeu, sabendo onde aquela conversa chegaria.

- Isa… desculpa, mas você sabe. Lhe apoio em tudo, mas não posso deixar de dizer isso, você esta cometendo erros…

- Por favor Rose. Eu não posso… não suportaria mais decepções, não posso expor meu filho a isso e…

- Ele mudou! – Rose exclamou, sem dar chances para desculpa de Isabella. – E você sabe o que ele estava fazendo no hospital naquele dia… é um direito dele poder saber mais sobre este menino…

- Não eu sei. – Isabella disse de cabeça baixa, encarando o filho que acabará de colocar no berço.

- Não minta pra si mesma. Todas sabem… e você não pode ser diferente.

Isabella chorava quando Rose a abraçou por trás, e beijou a bochecha da amiga.

- Você tem de se dar uma segunda chance… tem de dar a ‘’ele’’ uma segunda chance de participar no minimo da vida desta criança… ele já esperou tanto, já foi tão paciente…

- Eu sei. – Isabella disse por fim, limpando suas lágrimas.

 

É um crime, eu estou agindo errado

Oh, ele está sob minha pele

Só me dê algo para me livrar dele

Eu tenho uma razão agora para enterrar isto vivo

Outra mentirinha
 
(Trecho da música  Skin -  Alexz Johnson)